Vinte e três minutos de jogo sábado, no Pacaembu. Palmeiras e Corinthians empatam por 0 a 0. O árbitro assinala uma falta sobre Valdivia no meio do campo e a transmissão da TV Globo recupera uma imagem em hiperslow de uma bela torcedora palmeirense, que não deve ter mais de 22 anos. A leitura labial não requer expertise: "caaaaraaaalhoooo, juuuuiiiizzz". Ela reclamava apaixonadamente de uma falta anterior não marcada em uma arrancada de Marcelo Oliveira. A imagem é bonita, poética até, e não dura mais que uns três segundos.
Na volta para o ao vivo, a bola rola e o Palmeiras busca o ataque. Depois de uns trinta segundos de posse de bola que faz o torcedor se empolgar e até estranhar o próprio time, Valdivia se vê cercado por oito corintianos. Ele domina a bola daquele jeito que parece que vai acabar dando em nada e acha um passe para Wesley na direita. Depois de demorar um pouquinho para ajeitar, o camisa onze erra o chute. Mas, predestinadamente, no meio do caminho aparece Henrique, o caneludo centroavante alviverde, que põe para dentro do gol de Cássio. A bola cruza a linha do gol exatamente às 16 horas, 45 minutos e 30 segundos - eu fui conferir - e o Pacaembu, em sua maioria alviverde, explode. Haja coração, amigo!
O camisa 19 sai comemorando, como sempre, com o gesto de cortar pescoços. Henrique, o ceifador! É a 15ª cabeça cortada neste campeonato. Mais uma morte nas costas do improvável artilheiro do campeonato.
Um a zero! Pronto! O Palmeiras voltou a vencer um clássico depois de quase nove meses; superou o Corinthians, o que não acontecia desde 2011; bateu o rival no Pacaembu, encerrando uma seca de 19 anos, e ainda se afastou de vez da zona de rebaixamento. Uma alegria completa. As manchetes do dia seguinte já estavam prontas.O jogo acabou ali, aos 25 minutos do primeiro tempo.
O palmeirense João Correia Leal Filho, de 56 anos, estava na arquibancada verde do estádio, sofreu um infarto exatamente no momento do gol de Henrique e não resistiu. Palmeiras 1 x 0 Corinthians. E não se fala mais nisso.

